“Chronic Kidney Disease and Risk for Gastrointestinal Bleeding in the Community: The Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC) Study”

“Chronic Kidney Disease and Risk for Gastrointestinal Bleeding in the Community: The Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC) Study”

Autores: Junichi Ishigami, Morgan E. Grams, Rakhi P. Naik, Josef Coresh e Kunihiro Matsushita

Revista: Clin J Am Soc Nephrol 11: 1735–1743, 2016

Instituição: Department of Epidemiology and Divisions of Nephrology and Hematology, Department of Medicine, Johns Hopkins University, Baltimore, Maryland

Introdução e objetivos: Sabe-se que pacientes em diálise apresentam um risco elevado de sangramento gastrointestinal (GI).  Contudo, dados em pacientes com DRC leve a moderada (particularmente com albuminúria elevada) são limitados apesar de o sangramento GI estar associado a um risco 5 vezes maior de sangramento comparado a indivíduos sem DRCT(1,2). O uso de anticoagulantes (terapia extracorpórea) poderia explicar o risco aumentado de sangramento na HD, porém, o risco é alto também nos pacientes em diálise peritoneal e transplantados (3, 4). Agentes antiplaquetários são frequentemente prescritos a pacientes com DRCT a também podem contribuir para o maior risco de sangramento nestes indivíduos com DRCT (5,6).

Métodos:  cerca de 11,088 participantes do Estudo  “Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC)” foram investigados procurando verificar a associação entre RFGe mais o índice de albumina / creatinina urinária  (IAC) com o risco de hospitalização com sangramento GI . Medidas de avalição da função renal  foram realizadas no período de (1996–1998), e o seguimento continuado até o ano de 2011.

Resultados: Durante uma mediana de acompanhamento de 13,9 anos foram identificados 686 primeiros episódios de hospitalizações com sangramento GI (uma incidência de 4.9 / 1000 pessoas-ano [95% (95% IC), 4.5 – 5.3]). Indivíduos mais velhos, afrodescendentes, tabagistas, com nível de escolaridade mais baixo, em uso de aspirina e outros anticoagulantes , IMC elevado, com maior prevalência de HAS, DM ,função hepática alterada e portadores de DCV previa tiveram maior risco de sangramento GI. O modelo de análise proporcional multivariada de Cox revelou que o RFGe baixo e a taxa elevada do índice albumina/creatinina (IAC) na urina foram associados a um risco elevado de sangramento GI. Tomando-se como referencia os pacientes com um RFGe maior ou igual a 90 ml/min /1.73 m2 , verificou-se que nos pacientes com DRC moderada (RFGe de 30–59 ml/min/por 1.73 m2 )  o risco de sangramento foi significante (hazard ratio [HR], 1.51; 95% IC, 1.13-2.02), e foi mais levado quando o RFGe foi menor de 30 ml/min por 1.73 m2 (HR, 7.06; 95% IC, 3.91 – 12.76). Em relação a albuminúria, considerando como base de comparação o IAC de 10 mg/g, o risco de sangramento GI tornou-se significativamente elevado com uma albuminuria leve (IAC de 10–29 mg/g (HR, 1.36; 95% IC, 1.08 -1.69), e quase dobrou nos casos de albuminúria moderada a severa a (HR, 2.13; 95% IC, 1.66 – 2.71 para IAC de 30–299 mg/g, HR, 2.07; 95% IC, 1.33 -3.22 para IAC maior que 300 mg/g). Estes  resultados foram largamente consistentes e independentes dos eventos cardiovasculares ou da necessidade de diálise durante o período de seguimento.

Conclusões: indivíduos com baixo RFGe e albuminuria tiveram um maior risco de hospitalização por sangramento GI. Estes resultados sugerem que mesmo pessoas com DRC de grau leve a moderada devem ser monitoradas devido a uma maior probabilidade de desenvolver sangramento GI.

 

BIBLIOGRAFIA

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