Confira em nosso Blog as repostas  da  Dra. Lessandra Michelin ( Coordenadora do Comitê de Imunizações da Sociedade Brasileira de Infectologia) sobre a imunização contra a  Febre Amarela nos doentes renais crônicos

Blog : Em relação aos pacientes portadores de doença renal crônica ,em especial aqueles que estão em diálise vivendo em áreas endêmicas de febre amarela qual a sua recomendação quanto ao esquema de imunização?

Dra. Lessandra: A vacina contra febre amarela em pacientes renais crônicos, incluindo pacientes em hemodiálise, deve ser avaliada com cautela, devendo ser considerado o risco da área em que o paciente vive ou irá viajar, e a situação de imunodepressão em que se encontra. Em estudo publicado em 2016, Facincani e colaboradores acompanharam 45 pacientes em diálise que receberam a vacina, a qual se mostrou segura, sendo que 24% do pacientes apreentaram evento adverso leve e 4.4% apresentaram febre após a vacinação.  (artigo em anexo).

Blog: Quais as contra indicações absolutas da vacinação?

Dra. Lessandra:  Contraindicações para vacinação:

  • Crianças menores de 6 meses de idade;
  • Pessoas com imunodepressão grave por doença ou uso de medicação;
  • Pacientes HIV sintomáticos ou CD4 abaixo de 200 células/mm3 (crianças menores do que 6 anos com <15%);
  • Pacientes com neoplasias em quimioterapia ou radioterapia;
  • Pacientes que tenham apresentado doença neurológica desmielinizante no período de seis semanas após a aplicação de dose anterior da vacina;
  • Pacientes que realizaram transplante de órgãos em uso de terapia imunossupressora;
  • Pacientes que realizaram transplante de medula óssea devem ser avaliados, considerando o estado imunológico e o risco epidemiológico, respeitando-se o período mínimo de 24 meses após o transplante;
  • Pessoas com história de reação anafilática relacionada a substâncias presentes na vacina. Se alergia a ovo de galinha e seus derivados, avaliar risco/benefício pela hipersensibilidade;
  • Pacientes com história pregressa de doenças do timo (miastenia gravis, timoma, casos de ausência de timo ou remoção cirúrgica).

 

Blog: Em relação aos pacientes já vacinados? Devem tomar algum reforço vacinal?

Dra. Lessandra: Pacientes adultos já vacinados com 01 dose devem receber um reforço após 10 anos da primeira dose. Pacientes que receberam 02 doses estão imunizados e não precisam ser revacinados. Porém, lembrar que pacientes renais crônicos devem ser avaliados quanto ao estado imune e o benefício de receber a dose de reforço da vacina.

Blog: Em relação aos transplantados renais?

Dra. Lessandra: Pacientes que realizaram transplante renal e estão em uso de terapia imunossupressora não devem receber a vacina.

 

Blog:  Quanto as medidas de proteção individual no que se refere ao uso de repelentes alguma recomendação em especial?

Dra. Lessandra : Quanto a repelentes, utilizar os registrados oficialmente. Quando usados como orientado são seguros e eficazes, mesmo na gestação ou amamentação.

  • Sempre seguir as orientações das bulas.
  • Evitar uso de produtos com associação de repelente e protetor solar na mesma formulação. Ocorre diminuição em um terço dos fatores de proteção solar quando utilizado juntamente com o DEET.
  • Se for usar protetor solar, aplicá-lo antes da aplicação do repelente.
  • Para crianças
  • Não usar repelente que tenham o DEET como princípio ativo em crianças com menos de 2 anos de idade.
  • Os repelentes que têm como princípio ativo a icaridina podem ser utilizados em crianças a partir de 6 meses de idade, dependendo da concentração, conforme recomendação em bula.
  • Vestir as crianças com roupas que cubram braços e pernas.
  • Cobrir berços e carrinhos com mosqueteiro impregnado com permetrina.
  • Não aplicar repelente nas mãos das crianças.
  • Pode-se utilizar roupas impregnadas com permetrina.
  • Não usar produtos com permetrina diretamente na pele.

 

Blog: Para maiores informação quais fontes de consulta você recomenda?

Dra Lessandra  : Consultas

Organização Mundial da Saúde: http://www.who.int/csr/disease/yellowfev/en/

Centers for Disease Control and Prevention: www.cdc.gov/yellowfever/

Sociedade Brasileira de Infectologia: www.infectologia.org.br/pg/1233/informativo-sobre-febre-amarela

Vide material em anexo

 

Dra Lessandra Michelin MD, MSc, PhD

 

Professora Adjunta de Medicina
Divisão de Doenças Infecciosas da Universidade de Caxias do Sul

Coordenadora do Comitê de Imunizações da Sociedade Brasileira de Infectologia

Email: lessandra@gmail.com

 

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