The pitfall of treating low bone turnover: Effects on cortical porosity (REVISTA BONE, 2016 Oct;91:75-80)

CONFIRA EM NOSSO BLOG UM RESUMO DO ARTIGO, DE NEFROLOGISTAS BRASILEIROS, PUBLICADO NA REVISTA BONE, 2016 Oct;91:75-80. CUJO TÍTULO É:

The pitfall of treating low bone turnover: Effects on cortical porosity

Autores: Maria Julia C. L .N. Araujo a, Cristina Karohl b, Rosilene M. Elias a, Fellype  C. Barreto c,f, Daniela Veit Barreto c, Maria Eugenia F. Canziani d, Aluizio B. Carvalho d, Vanda Jorgetti a, Rosa M. A. Moyses a,e,

 

a Nephrology Division, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brazil

b Nephrology Division, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brazil

c Nephrology Division, Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, Brazil

d Nephrology Division, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, Brazil

e Medicine Master Degree Program, Universidade Nove de Julho, UNINOVE, São Paulo, Brazil

f Nephrology Division, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Brazil

 

Há poucos estudos que avaliam a cortical na biópsia óssea de pacientes com doença renal crônica, apesar de haver evidência suficiente que esse compartimento contribui para a força mecânica do esqueleto. Recentemente, um grupo americano publicou uma coorte que demonstra alta prevalência de porosidade cortical aumentada em pacientes em hemodiálise. Porém, não dispomos de evidências que avaliem o efeito do tratamento da DMO-DRC na porosidade cortical.

Nós realizamos uma análise post-hoc de um estudo randomizado controlado que comparou os efeitos de dois quelantes de fósforo na remodelação óssea. Os pacientes foram submetidos à biópsia óssea no início e após 1 ano de tratamento. A terapia era ajustada de acordo com a biópsia óssea inicial, levando-se em consideração a remodelação, incluindo quelante de fósforo (acetato de cálcio ou sevelamer), calcitriol e ajuste da concentração do banho de cálcio no dialisato.

Foram avaliados 52 pacientes, com média de idade de 46 ± 13 anos, sendo 67% de mulheres e 60% de brancos, e que estavam em diálise há 41 ± 26 anos. A porosidade cortical já estava aumentada no início do estudo em 85% dos pacientes [29.3% (17.9, 45.8)], e se correlacionou positivamente com o PTH (r=0.432; p=0.001). Em 54,9% dos pacientes foi detectada doença de baixa remodelação, e após 1 ano de tratamento o PTH desses pacientes aumentou [de 189,5 pg/ml (57–451) para 300 pg/ml (118–632); p=0.03] como esperado pela terapia empregada. No entanto, a porosidade cortical também aumentou [35.5% (26.6, 53.4)], e estava presente em 94% dos pacientes. O aumento da porosidade se correlacionou positivamente com o delta do PTH (p=0,03), demonstrando que quanto maior o aumento do PTH maior o aumento da porosidade. Esse fato foi mais observado nos pacientes não brancos do que nos brancos (p=0,039). Além disto, o risco de aumento na porosidade cortical nos não brancos foi 4,5 vezes maior que nos brancos. A regressão logística multivariada evidenciou que a variação da porosidade cortical foi dependente da variação do PTH e da raça (r2=0,193).

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Figura: A. Biópsia óssea com compartimento cortical normal de um paciente sem DRC. B. Biópsia óssea com porosidade cortical aumentada de um paciente dialítico.

 

Com base nesses dados, concluímos que a tentativa de normalizar a remodelação óssea, com a subsequente elevação do PTH pode se associar a um aumento da porosidade cortical, mais evidente em pacientes não brancos. Entretanto, não há dados clínicos para avaliar se essa alteração pode levar ao aumento do risco de fraturas.

 

Dra Maria Julia C. L .N. Araujo.

Universidade de São Paulo, São Paulo.

 

  • Fabiana R. Hernandes

    Parabéns Maria Júlia, realmente um estudo pós hoc que nos leva a observar um outro lado do osso. Todas as análises realizadas no estudo original foram baseadas no osso trabecular e, sendo assim, gostaria de saber se vocês encontraram alguma correlação das medidas no osso trabecular (ex : BFR) com a porosidade no osso cortical. Abraços

  • Carolina Neves

    Maria Julia
    parabéns pelo artigo, é impressionante como ainda conseguimos extrair informações de estudos antigos…e aprendemos bastante.
    Vc dividiu os paciente na segunda biopsia entre aqueles com PTH > 300 ou < que 300?
    Fiquei pensando que na segunda bx o PTH oscilava entre 100-600, deve ter uma porcentagem grande de pacientes adinâmicos e estes adinâmicos evoluíram com aumento da porosidade em cortical, a minha pergunta é : como atribuir ao PTH esse efeito do aumento da porosidade se provavelmente os pacientes ainda tinham predomínio de bx com dç adinâmica ? será que o tal efeito de tentar aumentar o PTH controlando P e usando banho pobre em cálcio em pacientes adinâmicos poderia induzir esse aumento da porosidade cortical? Não consigo responder essas perguntas…..