Caso 111 – Paciente com esquistossomose hepatoesplênica evolui com síndrome nefrótica (Prévia)

Relatora: Dra. Ana Paula Lemes Canuto
Unidade de Nefrologia – Hospital de Base de Brasília, DF

IDENTIFICAÇÃO:
Sexo feminino, 36 anos, branca, solteira, diarista

HISTÓRIA DA MOLÉSTIA ATUAL:
Paciente em seguimento na Unidade de Gastroenterologia com diagnóstico de esquistossomose hepatoesplênica, foi submetida a esplenectomia em 2007. No inicio de 2015 foi constatado proteinúria em exames de rotina, por volta de 4,0 g/dia, sem hematúria e sem alteração da função renal; foi então encaminhada ao ambulatório de Nefrologia, para avaliação e acompanhamento. A paciente referia edema de MMII desde o período da manhã, urina espumosa, negando hematúria macroscópica. Estava clinicamente bem, apetite preservado, hábito intestinal regular, negando quaisquer outros sintomas. Fazia uso dos medicamentos : losartana 100mg/dia e atenolol 50mg/dia.

ANTECEDENTES:
Esquistossomose hepatoesplênica, com esplenectomia realizada em 2007 . Tem hipertensão portal, com varizes de esôfago de fino calibre (EDA em 2014); ulcera duodenal prévia; elevações transitórias de aminotransferases; hipertensão arterial desde 2011. Nega tabagismo ou etilismo, nega alergia a medicamentos. Nega história de nefropatias em famliares.

EXAME FÍSICO:
Bom estado geral, peso 54 kg, altura 1,62 m; consciente orientada, contactuando normalmente, acianótica, afebril, anictérica, mucosas úmidas e coradas.
Aparelho cardiovascular: RCR, 2T, BNF, sem sopros ; PA 137×96 mmHg, FC 80 bpm.
Aparelho respiratório: Múrmurio vesicular presente bilateralmente, sem ruídos adventícios.
Aparelho gastrointestinal: abdome flácido, normotenso, figado não palpável, sem ascite.
Extremidades: MMII sem edemas

EXAMES COMPLEMENTARES:
Hb: 14,7, Ht: 44%, GB: 7.900, plaquetas: 406.000; glicemia 80; creatinina 0,64; clearance de creatinina 122ml/min; eletrólitos normais; exame de urina : D 1016, pH 5,5, proteinas ++++, leucócitos 3 p/campo, hemácias 2 p/campo; proteinúria de 24 hs 4,3g; albumina sérica 2,6; colesterol 480; triglicérides 174; ácido úrico 5,3; TGO 49; TGP 57; fosfatase alcalina 604; DHL 406; bilirrubinas totais e frações normais; amilase 85; sorologias virais (HBV, HCV, HIV) negativas; coagulograma normal; FAN, crioglobulinas negativos; complemento total e frações normais. Último seguimento (16/11/15) : Hb 13,4, leucócitos 8040, plaquetas 440.000, creatinina 0,80, colesterol 330, albumina sérica 2,5, urina : D 1020, proteinas +++,leucócitos 05 p/campo, hemácias 08 p/campo, proteinúria de 24 hs 5,8 g.
Fibroscan (10/03/2015) : Compatível com fibrose avançada; US de abdomen superior (01/06/2015):
Hepatopatia crônica de padrão fibrótico, compatível com esquistossomose, esplenectomia prévia;
USG renal: ecogenicidade preservada, RD: 11×7,1×7,5 cm e RE: 10×6,0×6,4 cm;
Endoscopia digestiva alta (30/07/2015) : Varizes de esôfago. Biópsia renal : a ser apresentada.

QUESTÕES ORIENTADORAS:
1) Na sua opinião, qual o diagnóstico provável obtido da biópsia renal neste caso ?
2) Como ocorre o envolvimento renal na esquistossomose hepatoesplênica ?
3) Qual seria sua conduta terapêutica neste caso ?

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