O alarme renal da Creatinina

  1. JOÃO RESPONDE

O ALARME RENAL DA CREATININA

“Quem te avisa, teu amigo é”. Sintomas, assim como certas pessoas, também agem amigavelmente. Um quadro febril aponta para provável infeção. Um episódio diarreico demonstra possível intoxicação digestiva. Um persistente desânimo pode revelar profunda depressão emocional. Essas advertências operam como sensores de proteção da integridade orgânica e do equilíbrio mental.

Um importante sinal, comunicando que algo está errado nos rins, é o aumento da creatinina. Essa importante substância encontra-se presente na corrente sanguínea, podendo ser dosada quando se pretende fazer uma avaliação da função renal.

Quando os rins trabalham de forma inadequada e a sua capacidade de filtrar o sangue fica afetada, as concentrações de creatinina tendem a ser elevar. Quanto mais alta estiver a creatinina sanguínea, mais grave estará a insuficiência renal.

Nossos músculos precisam de energia para exercer suas funções. O combustível que gera essa energia é uma proteína chamada creatina fosfato, sintetizada a partir das proteínas da nossa alimentação. A creatina fosfato é produzida no fígado e posteriormente armazenada nas fibras musculares.

O sistema muscular está permanentemente em atividade, mesmo quando se permanece em repouso. Isso significa que estamos o tempo todo consumindo creatina fosfato. A creatinina é uma espécie de lixo metabólico resultante desse consumo. Após ser fabricada, ela é lançada na corrente sanguínea e depois eliminada pelos rins.

A creatinina é uma substância inócua, sendo produzida e eliminada de forma constante pelo organismo. Se o paciente mantém sua massa muscular mais ou menos estável, mas apresenta um aumento dos níveis de creatinina sanguínea, isso é um sinal de que o seu processo de eliminação está comprometido, ou seja, os rins estão com dificuldade para excretá-la.

Se os rins não estão conseguindo eliminar a creatinina produzida diariamente pelos músculos, eles provavelmente também estarão tendo problemas para expulsar diversas outras substâncias metabólicas, incluindo toxinas. Portanto, o aumento da concentração de creatinina no sangue indica insuficiência renal.

Disfunções renais costumam ser silenciosas. Algumas pessoas sequer desconfiam que possam estar doentes. O método mais eficiente para se diagnosticar precocemente as alterações do rim é através da dosagem da creatinina.

Alguns pacientes dizem que os seus rins estão ótimos, já que urinam satisfatoriamente e não apresentam sintomas. Urinar bem não é sinal de saúde renal. O controle de água corporal é apenas uma das inúmeras atribuições dos rins. Mesmo intoxicados, eles conseguem urinar sem maiores problemas. A redução do volume urinário é uma reação tardia e indica gravidade.

A insuficiência renal crônica não costuma causar sintomas até fases bem avançadas da doença. O fato de não sentir dor nos rins, não significa nada. Em geral, o rim só dói na presença de cálculo ou infecção.

A dosagem da creatinina é importante para se detectar a insuficiência renal em fases precoces, evitando, assim, as complicações da patologia.

Qualquer indivíduo com risco de desenvolver doença renal deve dosar a creatinina sanguínea. Isto inclui pessoas que apresentam hipertensão arterial, diabetes mellitus, rins policísticos, glomerulonefrite, uso crônico de anti-inflamatórios, infecção urinária, cálculos renais de repetição, inchaços sem causa definida, insuficiência cardíaca, sangramentos pela urina, etc.

A semiologia médica estuda os sinais e sintomas através dos quais se manifesta uma determinada enfermidade. A creatinina é um significante, cuja elevação traduz um significado.

JOÃO EVANGELISTA TEIXEIRA LIMA

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